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Mulheres de Armas

Mulheres de Armas

28
Abr18

SISTERS, NOT JUST CIS-TERS

Mulheres de Armas

A celeuma que trazemos à baila hoje é um tema fracturante: pessoas transgénero e o seu papel no feminismo. Em primeiro lugar, assumimos o nosso desconhecimento de causa. Nenhuma das Mulheres de Armas é trans, pelo que tudo o que dizemos carece do ponto de vista na primeira pessoa. Não sentimos na pele as opressões particularmente duras das mulheres trans e, não obstante a empatia e informação que possamos deter, não nos assistem as experiências reais. Convidamos, por isso, quem se sentir apto e confortável para nos falar de sua justiça, aqui ou em mensagens privadas.
Há pontos em que não temos, porém, a menor reserva:
- O género é inegavelmente uma questão identitária, e a identidade é um direito fundamental de todos os seres humanos.
- A binarização de géneros é injusta, deixa de fora muitas pessoas, e todas as pessoas sem excepção merecem tratamento igual, isento, merecem espaço, liberdade de escolha e de acção;
- Não é preciso ter nascido com genitais ou cromossomas femininos para se ser mulher; repudiamos veementemente toda a transfobia, sob qualquer pretexto!
- A nossa luta feminista e de classes inclui e integra pessoas cis, não-binárias, de género neutro, transexuais, com todos os corpos, cores, nacionalidades, etnias ou religiões. Não temos espaço para clivagens que são apenas mais uma forma de opressão e nunca as toleraremos!

[Fiona]

26
Abr18

QUOTAS: MECANISMO DE DEFESA DA PARIDADE?

Mulheres de Armas

Saudações, camaradas!

No rescaldo das comemorações do 44° aniversário do 25 de Abril de 74, que passámos na rua, a celebrar a conquista de alguns direitos fundamentais e também o direito de reivindicar todas as liberdades que ainda nos são tolhidas, recordamos que a luta se faz de pé, de punho erguido, sem dar tréguas à opressão patriarcal! 

Como prometido, damos início a uma série de debates que cremos necessários, pela sua natureza polémica e muito pouco consensual mesmo dentro dos vários movimentos feministas, com um tema fracturante. 

QUOTAS: MECANISMO DE DEFESA DA PARIDADE?

Na sociedade actual, tão vincadamente patriarcal, em que o machismo é perpetuado pelos vários braços do poder estatal (legislativo, executivo e judicial), e o privilégio dos homens (acrescentamos ainda brancos, cis, hetero e da classe dominante) é um dado adquirido, qualquer que seja o ângulo que se observe, parece flagrante que estamos muito longe de garantir a igualdade de acesso ao poder. Já que o género masculino parte, desde logo, de uma posição de favorecimento, a forma mais imediata de colocar a paridade de géneros em cargos políticos como tema premente é a imposição de quotas, e esta imposição é, infelizmente e ainda, muito necessária. Contudo, a obrigatoriedade de representação está longe de ser uma solução completa ou satisfatória! 
Em primeiro lugar, importa evidenciar a fragilidade e natureza falaciosa do argumento batido e cansado da ‘meritocracia’ contra a aplicação de quotas mínimas de representação de género. Apontamos, desde logo pela observação das assimetrias gritantes na ocupação de cargos de poder, que os privilegiados são os que normalmente não reconhecem o seu próprio privilégio, pelo que não lhes ocorre questioná-lo. Não aceitamos por um instante a ideia paternalista e condescendente, papagueada ad nauseum, que as quotas são uma enorme benesse atribuída às mulheres! Não é possível, com justiça e seriedade, entender as quotas como mais do que uma tentativa de resposta, deficitária, branda e plena de lacunas, que tenta colmatar uma opressão sexista que é estrutural e herdeira do fascismo.
Uma ferramenta legalista de influência pela paridade nunca será responsável pelo derrube dos mecanismos de opressão, omnipresentes e perpetuados por parte do Estado burguês! Para que o poder de decisão esteja realmente nas mãos de todos, nem basta uma regra que força uma paridade manca, de um terço, nem a sua aplicação cingida à esfera política de instituições de governo central ou local.
Por outro lado, fazemos questão de deixar claro que remetemos certas aparentes obsessões fetichistas, pela quotização de géneros aplicada a posições de CEOs em grandes empresas, por exemplo, à categoria de dissimulação cosmética onde pertencem. Não nos deixamos ludibriar por pseusoparidades, nem festejaremos jamais instrumentos de replicação da repressão capitalista! 
A paridade a sério começa na educação, na disponibilidade de postos de trabalho, no acesso a cargos de chefia, na equidade de direitos e retribuições; contudo, se deixa de parte minorias étnicas, pessoas com limitações físicas ou doenças crónicas, algumas franjas etárias e, acima de tudo, a classe trabalhadora, é óbvia e estrondosamente insuficiente.
A mensagem que deixamos ao sistema patriarcal é clara. Estamos atentas, não nos contentamos com migalhas e não daremos tréguas até vencermos a nossa luta, que é de todos: uma sociedade realmente livre e justa, sem oprimidos, sem opressores, sem amos nem senhores! 

[Buffy]

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25
Abr18

MANIFESTO 25/4

Mulheres de Armas

No dia 25 de Abril de 2018, saímos mais uma vez à rua, em nome de todas as mulheres.

Saímos à rua para celebrar as conquistas da luta antifascista e do período revolucionário, que abriram portas para um mundo mais livre e mais justo, onde as mulheres puderam conhecer alguma liberdade profissional, política e familiar, face a leis tão reaccionárias e retrógradas que hoje nos parece incrível sermos filhas dessas mães que as viveram na pele.

Saímos à rua para homenagear todas e todos aquelas que sofreram, e não tão raras vezes morreram, às mãos da ditadura colonialista: de fome e miséria, na prisão política, na guerra colonial, nos calabouços da PIDE. Que ninguém diga que somos um país de brandos costumes.

Mas acima de tudo, saímos à rua, porque ainda há tudo a fazer. Porque os sonhos da revolução não se cumpriram. Saímos à rua em nome de todas as mulheres, em nome de toda a classe subjugada, contra todas as opressões, pela justa luta por um trabalho digno, um acesso à saúde e à habitação que não nos cubra de vergonha, uma educação que nos liberte em vez de nos tolher. Saímos à rua porque o machismo ainda é a realidade com que coexistimos cada dia, cada hora.

Não, o machismo não é um resquício do passado que sobrevive nalguns comportamentos individuais. É peça central do funcionamento do Estado burguês e patriarcal em que vivemos, que diariamente nos oprime no mercado laboral; que sistematicamente permite que sejamos mortas e violadas impunemente, com a vergonhosa colaboração do sistema judicial; que controla os nossos corpos, a nossa sexualidade, a nossa maternidade.

Ainda e sempre: trazemos a luta na voz, as armas no corpo e a História nas mãos! Não nos rendemos, não nos calamos!
A Vitória será nossa!

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08
Mar18

MANIFESTO DAS MULHERES DE ARMAS

Mulheres de Armas

No Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, manifestamo-nos em nome de todas as mulheres, exploradas, proletárias, imigrantes, não brancas, trans, com todas as orientações sexuais possíveis. Abraçamos a sororidade e a intersecionalidade que nos recorda que o machismo é irmão de todas as outras opressões.

Lutamos contra a discriminação das mulheres no mercado laboral e pela mudança radical das relações de produção, não esquecendo que feminismo e luta de classes andam a par e passo. Reivindicamos ainda a extensão dos direitos laborais a todas as trabalhadoras, nomeadamente no âmbito do trabalho sexual e do trabalho doméstico não pago.

Exigimos o fim de todas as formas de violência contra as mulheres: a invisibilização dos géneros não masculinos nos media, a perpetuação de humor machista, a subjugação económica, a normalização dos abusos psicológicos, a culpabilização das vítimas de abuso, o machismo institucional, a cultura de estupro, a violência doméstica, o feminicideo. Não toleramos nem mais uma vítima! 

Lembramos que toda a mulher tem o direito inalienável de escolher se, quando e como se tornar mãe e ter acesso a educação sexual e planeamento familiar; a métodos seguros de interrupção voluntária da gravidez e a um parto livre de violência obstétrica.

Erguemo-nos contra o controlo social dos corpos femininos, disfarçado de padrão de beleza, de higiene ou de preocupação com a saúde. Contra um patriarcado que objectifica e explora o corpo feminino ao mesmo tempo que impõe códigos de conduta puritanos , exigimos liberdade! Liberdade contra todo o abuso sexual e liberdade para dispormos dos nossos corpos como quisermos.

Somos exploradas, controladas, inferiorizadas e invisibilizadas. E no entanto... somos fortes, livres e lindas, trazemos a luta na voz, as armas no corpo e a História nas mãos.

A Vítoria será nossa.

Mulheres de Armas, presentes na vanguarda da luta.

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07
Mar18

Trazemos a Luta na voz!

Mulheres de Armas

Somos exploradas, controladas, inferiorizadas e invisibilizadas. E no entanto... somos fortes, livres e lindas, trazemos a luta na voz, as armas no corpo e a História nas mãos.

Abraçamos a sororidade entre todas as mulheres e a interseccionalidade que nos recorda que o machismo é irmão de todas as outras opressões.

Caminhamos com os nossos aliados, não precisamos que falem por nós mas que falem connosco e acima de tudo, que nos ouçam.

A Vitória será nossa.

Mulheres de Armas, presentes na vanguarda da luta.

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[Buffy]

11
Jan18

...

Mulheres de Armas

Feminismo Branco Liberal (FBL): Ai, há um certo feminismo que promove um puritanismo' excessivo, vou escrever um texto.

Eu: Boa. Há que distinguir sedução de assédio e permitir a cada pessoa a definição dos seus limites. É preciso que as mulheres se empoderem a si próprias e ter uma tolerância zero para situações de assédio, principalmente em casos marcados pela interseccionalidade. Isto tudo sem cair no moralismo ou puritanismo, somos livres de fazer o que quisermos com os nossos corpos.

FBL: É preciso a liberdade de importunar.

Eu: WTF??!!

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[Buffy]

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